O estado da IA em finanças corporativas em 2025: números, tendências e previsões

Dados de McKinsey, Gartner e Deloitte mostram que a IA em finanças corporativas deixou de ser projeto-piloto e virou prioridade operacional.

Em 2024, 44% dos CFOs já aplicavam IA generativa em cinco ou mais casos de uso — um salto de seis vezes em relação ao ano anterior, segundo a McKinsey. O dado, sozinho, já seria notável. Mas quando cruzamos com o Gartner (59% das áreas financeiras usando IA) e a Deloitte (87% dos CFOs consideram IA extremamente ou muito importante para suas operações em 2026), o panorama fica inequívoco: a IA em finanças corporativas deixou de ser experimento e virou infraestrutura.

Neste post, reunimos os números mais relevantes de três das maiores consultorias do mundo para montar um retrato fiel de onde estamos — e para onde vamos.

McKinsey: de 7% para 44% em um ano

O relatório "The State of AI", publicado pela McKinsey em março de 2025, traz dados de uma pesquisa com 102 CFOs de diversos setores e regiões. O destaque principal é a velocidade de adoção: em 2023, apenas 7% dos CFOs usavam IA generativa em mais de cinco casos de uso. Em 2024, esse número saltou para 44%.

Os casos de uso com maior tração no financeiro incluem:

  • Análise de custos e orçamento — modelos preditivos que identificam desvios antes que virem problemas
  • Automação de relatórios e narrativas financeiras — geração de análises em linguagem natural a partir de dados estruturados
  • Previsão de caixa e planejamento de cenários — simulações em tempo real com múltiplas variáveis
  • Processamento de faturas e contas a pagar — classificação contábil com precisão acima de 95%
  • Due diligence e análise de contratos — extração automática de cláusulas e riscos

Outro dado relevante: 64% dos respondentes afirmam que a IA está habilitando inovação em suas organizações. Mas apenas 39% reportam impacto no EBIT no nível corporativo. Ou seja, o valor existe, mas a maioria ainda não conseguiu escalar a ponto de impactar o resultado consolidado.

A McKinsey também destaca que 80% das empresas definem eficiência como objetivo principal de suas iniciativas de IA — mas as que mais capturam valor são aquelas que adicionam crescimento e inovação como metas complementares. Isso é especialmente relevante para CFOs: a tentação de usar IA apenas para "fazer o mesmo mais rápido" pode limitar o retorno.

Gartner: adoção estabiliza, otimismo sobe

A pesquisa do Gartner, conduzida entre maio e junho de 2025 com 183 CFOs e líderes financeiros, mostra um cenário de estabilização. A adoção de IA em áreas financeiras subiu de 37% em 2023 para 58% em 2024 — mas cresceu apenas um ponto percentual para 59% em 2025.

À primeira vista, a desaceleração pode parecer preocupante. Mas há nuances importantes:

  • 67% dos que já usam IA estão mais otimistas do que no ano anterior sobre o potencial da tecnologia
  • A estabilização reflete menos falta de interesse e mais dificuldade prática: integração com sistemas legados, qualidade de dados e gaps de competência
  • 16% das organizações financeiras ainda não planejam nenhuma implementação de IA no próximo ano
  • 25% permanecem incertas sobre como sair da fase de planejamento para a de piloto

Os principais obstáculos identificados pelo Gartner são:

  • Literacia de dados e habilidades técnicas — times financeiros que entendem de contabilidade, mas não de modelos de IA
  • Qualidade e disponibilidade de dados — sistemas fragmentados que alimentam os modelos com informações incompletas
  • Governança e compliance — preocupações sobre explicabilidade e auditabilidade das decisões automatizadas

O Gartner também publicou o Hype Cycle for AI in Finance, identificando três áreas de foco prioritário para CFOs no curto prazo: automação inteligente de processos, análise preditiva para FP&A e assistentes de IA para reporting.

Deloitte: 87% veem IA como muito importante — mas o salto é recente

O dado da Deloitte vem do CFO Signals Survey do quarto trimestre de 2025, que ouviu 200 diretores financeiros de empresas norte-americanas com faturamento acima de US$ 1 bilhão. O número é impressionante: 87% consideram IA extremamente ou muito importante para as operações do departamento financeiro em 2026.

Mas o contexto torna o dado ainda mais interessante: na pesquisa do trimestre anterior (Q3 2025), esse percentual era de apenas 19%. Sim, um salto de 19% para 87% em três meses. O que explica essa mudança?

Três fatores convergem:

  1. Maturidade das ferramentas — plataformas como Rillet, Numeric, Vic.ai e HighRadius lançaram funcionalidades de IA generativa que entregam resultados tangíveis em semanas, não meses
  2. Pressão competitiva — à medida que concorrentes reportam ganhos de eficiência de 30-50%, CFOs que não adotam IA passam a ser questionados pelo board
  3. Transformação digital como prioridade50% dos CFOs citam a transformação digital do financeiro como principal prioridade para 2026, e 49% mencionam a automação de processos para liberar profissionais para trabalho de maior valor

A Deloitte também identificou que 86% dos líderes corporativos e de private equity já usam IA generativa em processos de M&A (fusões e aquisições), com planos de aumentar investimentos em 2025. Isso sinaliza que a adoção está se espalhando de operações transacionais para decisões estratégicas.

O que os três relatórios dizem juntos

Quando sobrepomos as três pesquisas, alguns padrões ficam claros:

  • A adoção saiu da fase exponencial para a fase de consolidação. O salto de 37% para 58-59% (Gartner) e de 7% para 44% (McKinsey) mostra que a maioria já começou. Agora o desafio é escalar.
  • Otimismo e importância percebida estão em alta. O salto da Deloitte (19% para 87%) e o dado do Gartner (67% mais otimistas) indicam que os primeiros resultados estão convencendo os céticos.
  • O gargalo agora é execução, não convencimento. Os obstáculos são práticos — dados, talentos, integração — e não conceituais.
  • IA para eficiência é o ponto de entrada, mas valor de verdade vem de IA para inovação. A McKinsey é enfática: quem só busca eficiência deixa dinheiro na mesa.

O cenário para 2026-2027

Com base nas tendências observadas, podemos projetar com razoável confiança:

  • Mais de 70% das áreas financeiras de empresas de médio e grande porte terão pelo menos um caso de uso de IA em produção até o final de 2026
  • IA agêntica — agentes autônomos que executam tarefas complexas com supervisão mínima — será a principal fronteira de inovação
  • ERPs AI-native (como Rillet e DualEntry) começarão a capturar market share relevante de incumbentes como SAP e Oracle em segmentos específicos
  • O papel do CFO se expandirá para incluir governança de IA como responsabilidade formal

Ações práticas para esta semana

  1. Faça um diagnóstico honesto. Onde sua organização se situa nos dados acima? Se está entre os 16% que não planejam nada (Gartner), pergunte-se por quê.
  2. Priorize qualidade de dados antes de ferramentas. Os três relatórios apontam dados como o maior gargalo. Invista em governança de dados antes de comprar mais software.
  3. Defina metas além de eficiência. Use o framework da McKinsey: comece com eficiência, mas adicione objetivos de crescimento e inovação para maximizar o retorno.
  4. Identifique um quick win para os próximos 90 dias. Automação de AP, conciliação bancária ou geração de relatórios são os três pontos de entrada com maior probabilidade de ROI rápido.
  5. Monte um pequeno time multidisciplinar. Junte um profissional de finanças, um de dados e um de tecnologia. Os melhores resultados vêm de equipes que combinam conhecimento do domínio com habilidade técnica.